Marillion – HSBC Brasil 11/10/2012

Deca Pertrini

(Foto: Deca Pertrini)

Show

Ciro Hiruma

Foi uma longa espera. O Marillion retornou ao Brasil após 15 anos para promover a turnê do novo CD Sounds That Can´t be Made. A apresentação no HSBC Brasil prometia ser um grande evento. Afinal, a longa carreira, repleta de clássicos do rock progressivo, seria suficiente para tornar o show inesquecível.

Steve Hogarth (vocal), Steve Rothery (guitarra), Pete Trewavas (baixo), Mark Kelly (teclados) e Ian Mosley (bateria) estão em plena forma. Músicos que tocam juntos desde o álbum Seasons End (1989). Difícil encontrar esta longevidade em uma banda de rock.

O início do show surpreendeu: Hogarth começou a cantar em meio a plateia, no mezanino, enquanto seus colegas tocavam a introdução de “Splintering Heart” no palco. O público curtiu muito, foi inusitado, um exercício perfeito de coordenação.

Algumas canções evocaram os anos 80, quando Fish era o vocalista. “Slainthe Mhath” injetou uma boa dose de peso e descontração. “Kayleigh”, a música mais conhecida do Marillion, teve como ponto alto o solo de guitarra de Rothery, impecável.

A mesma vibração percorreu “Beautiful”, outro clássico da banda. Hogarth marcou mais um ponto, vocal poderoso, emoção a flor da pele. O público soltou a voz na maior empolgação, acompanhando o cantor.

Três músicas do novo álbum marcaram presença: a faixa-título, “Sounds That Can´t be Made”, a melhor, começa com uma estrutura rítmica simples e ganha aos poucos ares épicos. Já “Power”, que era apenas razoável na versão estúdio, cresceu ao vivo, manteve o pique do show. Destaque para a linha de baixo de Trewavas.

A partir de “The Sky Above the Rain”, o show mudou repentinamente de direção. O setlist que parecia estar tão coeso, pronto para incendiar a segunda metade do show, perdeu uma boa parte da vitalidade.

“Real Tears for Sale” é a faixa desnecessária do dispensável CD Hapiness Is the Road. Passou bem despercebida pelo público, despertou pouco entusiasmo.

O Marillion optou por tocar quatro músicas do álbum Marbles e os momentos escolhidos pesaram, tornaram o show cansativo. “You´re Gone”, ao menos, mas tem um bom apelo pop. Em “Fantastic Place” e “Neverland” o ritmo do espetáculo caiu.

Marillion 2 - Foto: Deca Pertrini

(Foto: Deca Pertrini)

“The Invisible Man” deveria ser a grande suíte progressiva do show. Não teve fôlego para tanto. Ficou a boa impressão de Hogarth, sim, ele de novo, a figura principal. Sua dramaticidade vocal e capacidade de entertainer ajudaram a segurar o interesse. Encarnou um senhor de idade, usando óculos e bengala, o personagem da canção: “Meu corpo se foi/ Mas meus olhos ficaram suspensos. Testemunhando/ Frios como um fantasma…”.

Teve também “Afraid of the Sunlight”, do álbum homônimo, uma boa música perdida no meio do setlist morno. E “Sugar Mice”, que encerrou o show, mais clássico absoluto dos anos 80. Porém, não foi a apoteose que se esperava. Fãs se entreolharam e disseram: “termina assim?”.

É salutar que o grupo usufrua o máximo do seu repertório recente, não fique parado no tempo. No entanto, poderiam escolher composições mais dinâmicas como “Don´t Hurt Yourself” e “Ocean Cloud”, já que desejavam tanto tocar material de Marbles. A faixa “Gaza”, que abre o novo CD, também seria bem-vinda.

Na direção oposta, faltou apresentar composições de álbuns mais antigos e fundamentais como Seasons End e Brave.

Apesar dos pesares, foi bom rever o Marillion em terras brasileiras. Mas que poderia ter sido bem melhor, não resta dúvida.

 

Links relacionados

Marillion – Site Oficial

Setlist completo do show no HSBC Brasil

 

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