Dream Theater – Turnê Brasileira 2010

  

(Foto: Ciro Hiruma)

(Foto: Ciro Hiruma)

Credicard Hall 19/03/2010
São Paulo
 

Ciro Hiruma 

Desafiar o tempo, manter-se na estrada por 25 anos e ter um padrão de qualidade constante. O Dream Theater pode. E ganhar sempre novos adeptos: seu mais recente álbum, Black Clouds & Silver Linings, subiu até a sexta posição na Billboard, a parada norte-americana. Assim, nada menos do que quatro das seis faixas do CD estiveram presentes no show. 

Uma proeza que James LaBrie (vocal), John Petrucci (guitarra), Jordan Rudess (teclados), John Myung (baixo) e Mike Portnoy (bateria) fizeram questão de demonstrar neste espetáculo no Credicard Hall. 

A banda de abertura, Bigelf, é carismática e foi bem recebida pelo público. Seu som, com apelo setentista não desperta muita atenção. A aparição surpresa de Mike Portnoy “acendeu” os fãs para o que viria em seguida. 

O Dream Theater abriu a noite com “A Nightmare to Remember”, prejudicado pela qualidade do som, que melhorou gradualmente no decorrer do espetáculo. Introdução perfeita e incendiária. 

“A Rite to Passage” era presença praticamente obrigatória, a primeira música de trabalho de Black Clouds. Bastante centrada no refrão, mostra que a banda não é apenas técnica e virtuosismo. Sua estrutura de composição é trabalhada com extrema dedicação, capaz de investir em climas e mudanças rítmicas no momento exato. 

Mike Portnoy (Foto: Ciro Hiruma)

Mike Portnoy (Foto: Ciro Hiruma)

 Em seguida foi a vez do solo de Petrucci. Quem acreditou que seria uma demonstração de shredding se deparou com um guitarrista que alcançou um raro grau de maturidade, soube dosar as notas na medida certa, integrá-las com precisão. Foi acompanhado com reverência pelo público, que ficou em silêncio para ouvir sua performance. 

Bastaram as primeiras notas de “Hollow Years” para que a euforia tomasse o Credicard Hall. Afinal, a música do álbum Falling into Infinity é um clássico e tem acompanhado o setlist de praticamente todas as turnês da banda. A interpretação de James LaBrie seguiu a versão original. Não é fácil, a canção é repleta de detalhes vocais sutis e complexos.   

O solo de Jordan Rudess recebeu a companhia no telão do Keyboard Wizard, ou seja, a versão cartoon do tecladista. A introdução, ao som de piano, seguiu um padrão basicamente erudito. Em seguida, ele exibiu seu notável domínio no Continuum, usando e abusando de todos os recursos do instrumento. Surpresa foi o aplicativo Bebot Robot Synth, para iPod, e os timbres que é capaz de gerar. Onde chegou a tecnologia!  

Um intenso ritmo eletrônico foi a deixa perfeita para a entrada de “Prophets of War”, de Chaos in Motion. Foi possível notar como a música cresceu ao vivo, ganhou mais punch e dinâmica que a versão de estúdio. Sintonia perfeita de toda a banda. 

“Wither” tem dois pontos essenciais: a interpretação sensível LaBrie e o tema orquestral criado por Rudess: ao vivo, a atmosfera deste momento surge mais vibrante e intensa, um autêntico épico. 

Em seguida foi a vez do medley do CD Scenes of a Memory: “The Dance of Eternity”, como sempre, é um exercício de precisão e o momento certo para John Myung exibir seu breve solo e oferecer uma incrível base rítmica ao lado de Portnoy. Rudess e Petrucci tocaram os solos de forma explosiva. A afinação de LaBrie  foi impecável em “One Last Time”, que exige muito do vocal. A seguir, “The Spirit Carries On” levou a platéia a cantar com o grupo. Poderia ser um grand finale se o melhor ainda não estivesse pela frente. 

Jordan Rudess (Foto: Ciro Hiruma)

Jordan Rudess (Foto: Ciro Hiruma)

Duas músicas do álbum Images and Words (1992), marco do rock progressivo, lembraram o início da banda. Os riffs de guitarra que comandam “Pull Me Under” abriram passagem para “Metropolis”: Jordan saiu em campo com seu teclado portátil Zen Riffer a fim de duelar com Petrucci. Os músicos levaram a sério o “confronto” numa incrível demonstração de desenvoltura e improviso. O vencedor da batalha foi o público. 

O bis não decepcionou, era exatamente o que os fãs esperavam, de acordo com o setlist que a banda havia tocado até então na turnê. “The Count of Tuscany”, mais uma de Black Clouds & Silver Linings, é o novo clássico do Dream Theater. Típica suíte progressiva, tem como principal atração sua estrutura. As sequências se encaixam com precisão e todo o conjunto faz valer ao máximo os 19 minutos da música. 

Foi um show inesquecível, antológico e avassalador!   

  

Citibank Hall 20/03/2010
Rio de Janeiro
 

Márcio Costa
(Especial para a Music Time) 

Dream Theater é um oásis em plena cidade do funk. 

Analisando música por música: “A Nightmare to Remember” se destaca pela linda vocalização, implementada não só nessa faixa, mas em todo o CD. Ao vivo foi reproduzida fielmente com os já afinados e esforçados backings de Petrucci e Portnoy. Destaque para os dois bumbos assustadores (e inaudíveis) do baterista, assim como os solos do Prof. Petrucci e de Jordan Rudess. 

A segunda foi “The Mirror/Lie”, uma ótima surpresa das antigas, que levantou a galera do Rio! Em São Paulo o público cantou mais, porém, no Rio o pessoal agitou muito mais. Destaque também para os momentos da baqueta voadora de Portnoy, que retorna graciosamente à sua mão vindo da esquerda, sem interferir na execução da música. 

“A Rite of Passage” tem a competência e apelo necessário para ser a “música de trabalho” do disco, com um riff pegajoso. O som de baixo do Myung está parecendo uma demo dos pedais Zoom. 

“Sacrificed Sons” é aquela famosa “vamos variar bem o repertório”, mas talvez tenha sido a menos necessária no show. É uma música patriótica, de harmonia triste (mi menor), melancólica, mas com alguns interlúdios bem interessantes no meio da composição. 

“Solitary Shell” foi uma grande surpresa por fazer parte da suíte Six Degrees of Inner Turbulence. Trouxe a esperança de que algo mais fosse tocado, como foi feito em São Paulo na seqüência “Dance of Eternity/ One Last Time/ The Spirit Carries On” do imaculado Metropolis II: Scenes From a Memory, de 1999, clássico absoluto responsável pela retomada do verdadeiro Dream Theater. Mas ficou apenas nessa parte da suíte. 

Opa, apenas não! Teve a inserção de um fantástico solo do Portnoy, no qual ele rodeou toda sua bateria, batendo nas ferragens todas, no tripé do microfone do Petrucci, digno de dar inveja a Carlinhos Brown (hehehe!) e dando seqüência a “Xanadu”, “Anthem” e a introdução de “YYZ” do Rush, deixando atônitos Myung e Rudess no palco. Um verdadeiro presente pra qualquer fã de boa música! Louvados sejam! 

“In The Name of God” cumpriu bem a sessão heavy do show, com seus belos 14 minutos e os solos intocáveis (no duplo sentido!) de teclado e guitarra em uníssono, mostrando a capacidade técnica digna de um músico clássico! A propósito, as microcâmeras que estavam posicionadas à frente de cada um garantiram boas imagens e risadas durante os solos pelas encaradas e caretas dos músicos. 

“Take The Time” é aquela famosa “’tá aí uma do Images and Words!”, apesar do público do Rio ter pedido incansavelmente “Metropolis” no fim do show. Na minha opinião, é um pouco de desrespeito com o músico, mas, fã é assim mesmo, faz loucura por seus ídolos e está mais do que certo! Destaque para o solo do Petrucci. Ficou nítido o seu esquecimento total do tema, mas saiu-se bem como ninguém dessa situação! 

E, para fechar o show, The Count of Tuscany, o mais novo clássico da banda de 19 minutos que encheu os olhos de lágrimas de muito marmanjo lá. Linda letra, lindos solos, lindo tema (bem Images and Words, por sinal). Fecha o álbum e o show com perfeição! 

Bem, espero que voltem logo! Excelente show, excelente performance, preço até justo, som dos PAs ruim e uma noite já saudosa. O que tenho a dizer? Quem não foi, perdeu! E perdeu um bom prêmio de loteria, daqueles bem valiosos! 

Márcio Costa é guitarrista da banda VCN 

E-mail – marcio.costa@quick.com.br 
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 Veja as fotos do show no Credicard Hall no Flickr!

One Response to “Dream Theater – Turnê Brasileira 2010”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Ciro Hiruma, Ciro Hiruma. Ciro Hiruma said: Dream Theater Brasil – review dos shows de SP e RJ e 27 fotos exclusivas! http://www.musictime.com.br/show-review/dream-theater-brasil-2010 [...]

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