U2 – No Line on the Horizon

CD ReviewU2 No Line On The Horizon

Ciro Hiruma

Quando uma banda veterana se mantém no topo do sucesso lotando estádios por todo o planeta, é certo que o lançamento de um novo CD desperta enorme expectativa. No caso do U2, a atenção é maior porque os músicos fazem questão de apostar na criatividade para atender a um princípio básico: jamais parar no tempo.

Além disso, trata-se um caso raro na cena musical, a banda que mantém a mesma formação desde o primeiro álbum: Bono (vocal), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria).

No Line on the Horizon é um título interessante para o novo trabalho da banda. Não existem fronteiras que limitam o horizonte, a visão musical do grupo. Experimentar novos sons e tendências é uma necessidade, mesmo que o resultado nem sempre seja o desejado.

O U2 apresenta uma proposta curiosa: investe na inovação mas busca influências no seu próprio passado. É um processo de reinvenção e revitalização. A faixa-título é um exemplo: possui elementos techno que lembram o álbum Pop (1997), mas sem perder de vista o rock básico. O vocal de Bono expressa urgência e tensão seguido de perto pela percussão agressiva.

“Magnificent” é uma viagem na máquina do tempo, leva o ouvinte de volta ao álbum War (1983). O instrumental está atualizado, mas o mesmo vigor e dinâmica estão presentes. É sem dúvida um destaque.

No CD The Joshua Tree (1987) e nas faixas inéditas do documentário Rattle and Hum (1988), a banda iniciou uma pesquisa dos ritmos norte-americanos que deram origem ao rock. Na época, os músicos foram gravar composições nos estúdios Sun Records, em Memphis, onde Elvis Presley gravou seus primeiros singles. “Moment of Surrender” recria este momento. O órgão com inspiração gospel prepara o clima para uma composição ágil que transita entre o country e o rhythm ´n´ blues.

A mesma ideia está presente em “White as Snow”, que faz questão de mostrar suas raízes country ´n´ western, a fusão entre a música folk norte-americana e os temas típicos de faroeste. É uma canção que demora a revelar sua sensibilidade e beleza, especialmente pela interpretação de Bono.

“Unknown Caller” retoma as influências sonoras do Oriente Médio que apareciam em Achtung Baby (1991). O refrão é o ponto forte e a música recebe até um clima épico, orquestral. Bono usa o falsete sem obter resultados expressivos. Apesar de toda a produção, não é uma música relevante no álbum.

U2 Line Band

Ao contrário, “I´ll Go Crazy” é o que se espera do U2, bem poderia estar na safra de The Joshua Tree. O cantor tenta novamente variar o estilo vocal sem atingir o seu intento. No entanto, os demais músicos conseguem resgatar a banda em sua melhor forma. O desempenho de The Edge e seus riffs, que são uma marca registrada, têm destaque absoluto.

“Get on Your Boots” coloca passado e presente lado a lado. Efeitos eletrônicos de ponta se associam com uma melodia típica do british pop dos anos 60. Qualquer referência a Rubber Soul dos Beatles não é mera coincidência.

Quando o assunto é suingue, “Stand Up Comedy” é o ponto exato em que a associação rítmica de Clayton e Mullen funciona com perfeição. A guitarra acrescenta bastante peso e o resultado é uma composição agradável, porém sem se tornar especial.

“FEZ – Being Born” é puro clima de trilha sonora, começa com algumas vozes esparsas ao fundo e o andamento é sereno, tranquilo, aumentando aos poucos, ganhando dinâmica. The Edge usa texturas delicadas em sua guitarra, enquanto Clayton é o responsável pela linha mais pesada. Ótimo momento.

O ataque ágil das baquetas de Mullen e os riffs de The Edge são a base de “Breath”, que lembra “Pride (In the Name of Love)”. A química entre os músicos funciona bem, mas não a ponto de tornar a música memorável.

Do mesmo modo, bateria e guitarra conduzem a ação em “Cedars of Lebanon”, que tem como atrativo extra os versos recitados por Bono. Poderia ser mais interessante, afinal é a faixa de encerramento.

No Line on the Horizon está distante de ser um clássico da banda. Porém, mostra que o U2 prefere arriscar ideias inéditas e ousadas em vez de estacionar nas glórias de décadas passadas. Nem sempre a fórmula funciona, mas ainda assim o saldo é mais do que positivo.

Get On Your Boots

U2 Link:

Site Oficial

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