Rush – Snakes and Arrows Live

Músicas antigas revitalizam a bandaSnakes & Arrows Live

Ciro Hiruma

Quando o Rush lançou os álbuns ao vivo Different Stages (1998) e Rush in Rio (2003), a produção optou por um conceito sonoro: captar bem a ambiência, o som do público, a fim de criar o efeito de se estar presente em um show da banda. Se a intenção foi boa, o resultado não foi satisfatório: as músicas perderam a nitidez, algumas passagens ficaram saturadas, sem uma definição eficiente, como é possível obter hoje em gravações de shows.

Em Snakes and Arrows Live, que chega agora ao mercado, prevalece a mesma idéia, mas a qualidade sonora melhorou, é possível ouvir os instrumentos com mais nitidez, os detalhes, as nuances da música. Porém, o som do público parece um loop, um contínuo e repetitivo bater de palmas e gritos que forma uma única massa sonora sem muitas variações.

A grande sensação do CD duplo são as músicas do antigo repertório do grupo, que não apareciam mais nos espetáculos. É o caso de “Entre Nous” do clássico álbum Permanent Waves (1980) e “Digital Man” (de Signals, 1983), com seus toques de reggae. De um passado mais recente, a fase dos sintetizadores está em evidência em “Between the Wheels” (1984) e “The Misson” (1987), dois achados que valorizam muito o concerto.

Existem ainda outras “descobertas”: abrir o show com “Limelight”, do antológico Moving Pictures, é uma grande pedida. “Natural Science”, que durante muito tempo não marcou presença nos lançamentos ao vivo da banda, é uma composição importante que influenciou bandas como o Dream Theater. Basta ouvir “Sacrified Sons” ou “In The Presence of Enemies Pt.1″, do grupo de Mike Portnoy para notar as semelhanças.

Divulgação Rush SnakesDivulgação

O Rush apostou alto em seu mais recente álbum de estúdio, Arrows & Snakes. São oito faixas que comparecem neste trabalho ao vivo. Trata-se de um CD curioso, que tenta parcialmente recuperar o som da virada dos anos 1970-1980. O violão de Alex Lifeson é uma referência neste sentido. Contudo, algumas canções abrem de forma extraordinária para perderem o interesse em seguida, tornando-se monótonas.

A impressão é que se estendem em excesso. Versões “edit” seriam  bem-vindas. Salva-se no registro ao vivo a instrumental “The Main Monkey Business” e “Malignant Narcissism – De Slagwerker”, que traz uma linha de baixo incrível de Geddy Lee e o solo de bateria de Neil Peart.

O que falta acrescentar? O retorno ao repertório dos shows de “Subdvisions” e “Witch Hunt”. O polêmico trabalho anterior da banda, Vapor Trails, pesado e hiperdinâmico para alguns, frio e distante para outros, está em “One Little Victory” e “Secret Touch”.

Arrows and Snakes Live define com precisão o estado atual do Rush: os músicos continuam brilhantes, tocam com convicção e mantém seu sucesso entre os fãs. Mas o que fazer quando as melhores músicas da banda pertencem a um passado já bem distante?

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