Ozzy Osbourne – Scream

Ecos do passado, gritos do presente

Ciro Hiruma

O que esperar do novo CD de Ozzy Osbourne? Afinal, o vocalista aparentemente deixou para trás sua melhor fase após o CD No More Tears, de 1991. Seus trabalhos mais recentes apresentavam boas composições, mas a criatividade estava dispersa. A energia contida e dosada, longe da força maciça e explosiva dos tempos passados.

E o que pensar de sua banda, completamente renovada? Gus G (guitarra, ex- Arch Enemy), Rob Nicholson (baixo – Danzig, Rob Zombie), Adam Wakeman (teclados, filho de Rick, ex-tecladista do Yes) e Tommy Clufetos (bateria – Ted Nugent, Alice Cooper).

O auge de Osbourne já passou? Ou teria o “príncipe das trevas” cartas na manga para virar o jogo? A resposta está em Scream.

Kevin Churko, produtor e co-autor de todas as faixas, também produziu o álbum anterior de Ozzy, “Black Rain”. É um profissional eclético: seus trabalhos vão do puro pop de Shania Twain e Simon Collins até bandas como In This Moment e Five Finger Death Punch. que apostam em um mix de heavy metal e uma vertente mais acessível, mainstream.

“Let it die” abre Scream com o bom trabalho de baixo seguido de uma explosão de peso. Riffs no melhor estilo thrash. A nova banda está em perfeita sintonia, o vocal de Ozzy recebe um tratamento eletrônico, uma tendência atual que usa softwares como o Autotune e similares. O refrão é perfeito e a sequência final lembra Sabbath Bloody Sabbath, faixa do álbum homônimo que o Black Sabbath gravou em 1974.

A velocidade aumenta em “Let Me Hear Your Scream”, que poderia ser uma típica composição da era Zakk Wylde. Riffs precisos e solos ligeiros de Gus. O cantor aposta alto no vocal a faz jus ao título do CD. Para equilibrar, “Soul Sucker” recorda o clássico estilo “arrastado e sombrio” do Sabbath dos anos 70. Os teclados de Adam servem como base para o bloco sólido de guitarra e baixo.

É aí que entra “Life Won´t Wait”, com uma introdução acústica e trechos que transitam entre o heavy e um som mais pop, alternando os estilos. A presença do produtor Churko aparece nítida nesta música, basta ouvir o trabalho que ele fez com o já citado In This Moment. Um toque de atualidade que vai muito bem neste momento do CD.

Ozzy Osbourne (foto: divulgação)

Ozzy Osbourne (foto: divulgação)

A variação sonora continua em “Diggin´ me Down”. Adam Wakeman cria um tema soturno enquanto o violão faz uma melodia com um tom renascentista. O que vem depois é thrash bombástico somado a um refrão que pega o ouvinte em cheio.

“Crucify” é um heavy metal moderno, que vai buscar até influências do Dream Theater (escute “Forsaken”). A bateria de Tommy Clufetos faz a diferença e acelera o ritmo em “Fearless”, ataque rápido com direito ao melhor solo de guitarra de Gus no álbum.  

A cozinha rítmica reforça a balada “Time”, texturas sombrias e um trecho vocal em falsete de Osbourne (se for tocada ao vivo, resta saber se o cantor vai conseguir realizar a mesma proeza do estúdio). Ponto positivo em favor do ecletismo.

“I Want it More” tem como destaque riffs incisivos e um tom dramático. E “Latimer´s Mercy” é um composição pesada tradicional e convencional do vocalista, nada de destacar.

A vinheta de encerramento, “I Love You All”, é curiosa: os teclados lembram a sequência inicial de “Fool on the Hill” dos Beatles, psicodelismo puro. Valeu, ótimo final.

Ozzy Osbourne conseguiu de novo. No estúdio o resultado surpreendeu. Não alcançou os grandes clássicos do cantor, mas é um ótimo CD.   

Resta saber como estará sua condição física ao vivo. E Gus G terá de se esforçar bastante para tocar o material de Randy Rhoads, Jake E. Lee e Zakk Wylde.

Agora é cair na estrada e quem viver verá!

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