OSI – Blood
CD REVIEW

Divulgação
Ciro Hiruma
Para completar a trilogia dos tecladistas do Dream Theater, aqui vai o review do novo álbum do OSI (Office of Strategic Influence), Blood, projeto de Kevin Moore e do guitarrista Jim Matheos, da banda Fates Warning.
Neste terceiro CD, mudanças significativas: o grupo deixou de ter um baixista fixo, Matheos ficou responsável pelo instrumento. Mike Portnoy (Dream Theater) cedeu seu lugar para Gavin Harrison, o experiente baterista do Porcupine Tree que recentemente assumiu as baquetas do King Crimson fazendo dupla com Pat Mastelotto. Sua presença é marcante, afinal a influência destas duas bandas pontua em vários momentos do OSI.
Não poderia haver título mais apropriado para “The Escape Artist”, a faixa de abertura. A composição é realmente a arte da fuga, distanciar-se do convencional. Riffs pesados e precisos de guitarra abrem caminho para o heavy metal. O refrão é marcante. E Moore preenche todos os espaços com teclados, que visam especialmente a criação de climas, como nos trabalhos anteriores da banda. Sua voz continua a recordar o estilo de Rick Wright, falecido tecladista do Pink Floyd. Ainda que não seja um excelente vocalista, sua presença éideal para a proposta do grupo.
“Terminal” é repleta de programaçãoo eletrônica, os sintetizadores surgem repentinamente com timbres inusitados. O vocal se aproxima de um sussurro, o que recorda algumas canções do Porcupine Tree, principalmente o sentido hipnótico e minimalista que o grupo apresentava no início da carreira.
“False Start”, ligeira, cerca de três minutos de peso: inicia com sintetizadores que recordam um mantra indiano seguido por riffs de guitarra que mantêm a mesma melodia. A bateria de Gavin Harrison é ágil e garante a variação percussiva da música.
A programação de “We Come Undone” traz elementos de drum ´n´bass, teclados suaves e envolventes que são constantemente abordados por sons eletrônicos que se aproximam a ruídos.
Uma abertura no melhor estilo “industrial” é deixa para “Radiologue”. Programação rítmica mecânica que cede a vez para uma melodia que recorda brevemente “Goodbye Blue Sky”, do Pink Floyd. A fusão guitarra mais teclados ganha intensidade gradual, direcionada ao heavy metal. Uma composiçãoo excelente, exercício de precisão e criatividade.
Sons tênues, agudos e metálicos servem como introdução para “Be the Hero”, os teclados criam climas leves que se alternam com riffs de guitarra agressivos e velozes. Os solos trazem influências do King Crimson. O refrão, por sua vez, revela o lado mais acessível da música.
“Microburst Alert” traz tensão do começo ao fim. A programação eletrônica sistemática sugere um alarme, com mostra o título, e uma voz distante que simula uma conversa radiofônica, diz: “Stop! Stop!”. A urgência que Jim Matheos acrescenta em sua guitarra é pretexto para um encerramento repentino.
Em “Stockholm”, Mikael Ökerfeldt, do Opeth, comparece nos vocais. A música não deixa esquecer que Kevin Moore foi o compositor de “Space Dye Vest” de Awake (1994), do Dream Theater. Os sintetizadores estão voltados para a criação de ambiência e o som é soturno, denso.
A faixa-título segue o andamento do tema,”blood”: o ritmo é pulsante como o som das batidas do coração, o sangue que corre nas veias. Tudo isto impulsionado pela energia de Gavin Harrison. Seria a trilha ideal para uma série de TV estilo Arquivo X.

Jim Matheos e Kevin Moore (Divulgação)
Existe uma edição especial que traz um CD extra com três faixas. “No Celebrations” é o momento que mais recorda Moore na era Dream Theater, seus teclados com toques de “Caught in a Web” (de Awake). O vocal de Tim Bowness está perfeito e a melodia tem alguma semelhança com o tema do filme Missão Impossível.
“Christian Brothers” é um tributo ao falecido músico Elliot Smith (1969-2003), homenagem mais do que justa, recriada no estilo OSI. E “Terminal (Endless)”, a versão estendida da faixa do primeiro CD, vale a pena ouvir os dez minutos e aguardar algumas surpresas.
Experiência curiosa ouvir Blood. Por um lado, inovação pura e experimentalismo. Por outro, uma vertente acessível capaz de conquistar aficionados de várias tendências musicais: heavy metal, progressivo, techno, experimental.
Ótimo para conhecer música de última geração sem a necessidade de definir rótulos e estilos sonoros.
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