Lipstick – SESC Santo André 25/07/2008

 

SHOW REVIEW

Mel e Michelle

Um Espetáculo de Surpresas

A expectativa era grande. Santo André é a “cidade natal” da banda. Lá o Lipstick se formou, é o município onde moram as integrantes da banda (a vocalista Mel Ravasio mora na vizinha Ribeirão Pires). Era uma noite que prometia um evento especial, que praticamente coincidiu com o lançamento do clipe “Nanana”, dirigido por Alberto Azevedo e Renzo Marques, criatividade e ótima produção.

Vários títulos já serviram para identificar o estilo sonoro da banda, de alternativo, underground a indie, entre outros rótulos (quem se importa realmente com estas definições?).

O Lipstick está conquistando seu espaço em diversas participações nas emissoras de TV, rádio, internet e na mídia escrita. Influências as mais ecléticas possíveis: The Donnas, Bangles, Green Day, Alanis Morissette, No Doubt, Avril Lavigne e até pesos pesados como Metallica e Rage Against the Machine.

A ótima acústica da Caixa Preta do Rock, no SESC Santo André, foi ideal para a banda mostrar todo o seu potencial. Ao contrário de grupos que privilegiam os recursos de estúdio e seu desempenho se baseia nas possibilidades que o CD oferece, o Lipstick cresce ao vivo de forma notável, apenas quem já teve a chance de presenciar um show pode comprovar.

A banda tem ainda um hit que poderia ser trabalhado para ganhar a mídia: “Superficial”, ágil, adrenalina pura, especialmente pela condução da baterista Tila Gandra e da baixista Carol Navarro, que conta sempre com uma ótima presença de palco. “Descontrolada” segue o mesmo rumo, soa como um “caos sob controle” tal a urgência e a dinâmica da composição.

“Nunca Mais” começa com um uma guitarra tipicamente hendrixiana, sob a responsabilidade de Dedê Soares. Privilegia mais o peso do que a velocidade, mostra a diversidade no repertório da banda e um refrão muito bem trabalhado: “Eu tentei esquecer, Tentei me esconder/ O que eu mais precisava/ Era você/ Agora não ligo mais/ Não quero você”.

Um ótimo momento do show foi a cover da banda 30 Seconds to Mars, “The Kill” e a surpresa de ver Mel ao violão, cena inédita nos shows, com o acompanhamento de Dedê e Michelle. Foi uma interpretação marcante, extremamente sensível. E o principal: o Lipstick não faz cover no sentido exato da palavra: as músicas são adaptadas segundo o estilo pessoal da banda, o que acrescenta sempre elementos novos à versão original, senão uma mudança radical na sonoridade.

Logo após, mais surpresas: Tila assume o violão, Dedê continua no palco e Carol investe no vocal para recordar uma música que estava guardada nos arquivos da banda, “Do Seu Jeito”. Muito simpática sua atuação, agradou bastante a platéia.

“Por Acaso” começou como sempre, apenas Mel e a tecladista Michelle Oliveira entram em cena. A estrutura do teatro permitiu um efeito inusitado que o publicou adorou: a vocalista deixou o palco e continuou a cantar, foi surgir no fundo do teatro, sob um forte spotlight para chamar a atenção da platéia. Desceu a escadaria e foi parar ao lado de Michelle, encerrando em grande estilo.

A tradicional cover de “Say You´ll Be There”, das Spice Girls, já é indispensável nos espetáculos da banda. Enquanto a versão original é uma canção techno-dançante, foi recriada pelo Lipstick como uma balada intimista, um ótimo resultado. A oportunidade ideal para toda a banda mostrar seus dotes vocais.

Tila Gandra“Temporal”, contou com a participação especial de Fabrizio Martinelli, da banda Hateen, que somou com Dedê uma linha agressiva de riffs de guitarra, mais a pegada de Tila na bateria, que literalmente “desce o braço” nesta composição. Os teclados de Michelle, com o timbre de órgão Hammond, forneceu o clima ideal para a música.

Não poderia faltar, é claro, “Nanana”, originalmente composta por Will Prestes, da banda Wonkavision. Nesta noite, o Lipstick tocou a música com uma disposição incrível, apresentando um clima bastante diferente do clipe, ou seja, peso acentuado. Sorte do público presente, que foi capaz de ouvir os estilos que uma mesma composição pode tomar. É uma questão de direcionamento sonoro.

Não resta dúvida de que o Lipstick é uma das revelações do rock nacional. A ascensão nos shows é visível/audível e a sintonia entre as integrantes está cada vez melhor. A banda veio para ficar, então é aguardar as próximas apresentações e o segundo CD.

Veja 58 fotos do show do Lisptick no meu Flickr

Site Oficial Lipstick

Portal Sesc

Gravadora: Thurbo Music

Clipe oficial da música “Nanana”

Ciro Hiruma é Mestre em Rock pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Como jornalista, atuou nas revistas Audio News, Rock Brigade, Modern Drummer, Guitar Player, Cover Guitarra, Cover Teclado, Música e Mercado, entre outras. Bacharel em Publicidade e Propaganda, participou de agências na área de criação e redação. Desenvolveu também um trabalho no segmento de roteiros para cinema, TV e teatro na ESPM. Hoje, dedica-se ao marketing management e o ramo editorial-literário.

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