Joe Lynn Turner no Brasil!

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Muitas histórias para contar e shows pelo mundo afora!

Ciro Hiruma

Foto: Chris Marksbury

Quando Joe Lynn Turner foi chamado por Ritchie Blackmore para compor o Rainbow, nos anos 80, houve uma mudança radical na sonoridade da banda, que entrou em sua fase de maior sucesso comercial. Mesmo com o fim do grupo, em 1984, Joe lançou no ano seguinte seu primeiro álbum solo, Rescue You, e se apresentou como vocalista de Yngwie Malmsteen em Odyssey (1988) e o trabalho ao vivo Trial by Fire: Live in Leningrad (1989). Os dois álbuns tiveram uma importância fundamental na mudança da sonoridade do guitarrista, que se lançou em uma postura mais melódica e pop.

Porém, o maior desafio de Turner ainda estava por vir: aceitar o cargo de vocalista da clássica banda de hard rock Deep Purple. Após gravar Slaves and Masters (1990), uma extensa excursão mundial teve início e aportou inclusive em terras brasileiras. Depois desta turnê, durante a gravação de The Battle Rages On, Joe e o Purple seguiram caminhos diferentes. Contando com mais de dez CDs solos, Joe Lynn Turner ainda hoje encontra tempo para projetos ao lado de Glenn Hughes, o guitarrista Akira Kajiyama, Brazen Abbot, Mother´s Army e outros.

Mas o melhor é conhecer Joe Lynn Turner através suas próprias palavras, afinal, ele é o dono da voz! Nesta entrevista, o cantor conta fatos inéditos de sua carreira, várias curiosidades e opiniões sobre sua vida profissional e os músicos que atuaram ao seu lado. Aqui está sua entrevista exclusiva.

Music Time: Seu mais recente CD, Second Hand Life, traz uma surpresa aos fãs do Deep Purple, a faixa “Stroke at Midnight”, que é uma versão de “One Man’s Meat”, de The Battle Rages On. Conte-nos a história desta música, composta por você, Blackmore e Jim Peterik (ex-Ides of March e Survivor).

Joe Lynn Turner: Ritchie e o Deep Purple trouxeram Peterik como parte de um plano para atingir mais fãs, de um modo similar como o Aerosmith fazia na época. O Aerosmith também era uma banda lendária e clássica de rock, mas eles conseguiram uma “vida nova” trabalhando com alguns compositores os quais eles não tiveram contato nos anos 70. Compositores com grandes sucessos nas paradas ou enorme potencial. Peterik é um grande compositor e esta música surgiu em uma das sessões do álbum. Quando o Deep Purple a gravou, não era a sonoridade que se pretendia obter. Assim, quando eu quis fazer este álbum solo, contatei Blackmore e ele me deu sua benção, disse basicamente que desejava me ver fazer a música do modo como deveria ser feita.

Existe mais material em The Battle Rages On com a sua participação? Mais composições?

Sim, em termos de participação, sem dúvida. Existem também algumas músicas ou segmentos de músicas nos arquivos que provavelmente jamais serão lançados. Algumas das composições do álbum que foi realmente lançado soam diferentes da forma como foram concebidas nas sessões em que eu participei.

Durante a sua turnê com o Deep Purple, como era o clima entre os músicos? Você sentiu em algum momento que havia alguma movimentação estranha nos bastidores? Sua saída da banda aconteceu durante as sessões de The Battle?

O relacionamento foi ótimo durante a turnê. Nós visitamos vários países que outras bandas temiam devido a Guerra do Golfo. Havia uma grande energia do público que nos assistia. Eles se sentiam gratos porque não tivemos medo de levar nossa música até eles. Quando deixei a banda, ou eles me disseram que eu deveria sair, você irá ouvir diferentes versões de pessoas distintas. Eu saí porque me pareceu que havia um bocado de ciúmes acontecendo, e este não é o melhor ambiente para uma atividade criativa ou para negócios bem sucedidos. Eu sei que alguns dos rapazes queriam Ian (Gillan) de volta, a fim de tentar levar a banda para um outro nível. Eu respeitei o que eles queriam, então fui embora.

Durante os shows do Deep Purple na turnê de Slaves and Masters, você propôs uma maneira própria de cantar, incluiu novos arranjos vocais, mudou as métricas de alguns versos. Isto causou uma reação nos fãs mais assíduos da banda? Como o público via Joe Lynn Turner à frente do Deep Purple?

As mudanças, assim como eu me recordo, foram em nosso benefício porque os rapazes estavam realmente aborrecidos em tocar as mesmas músicas do mesmo modo em todas as turnês. Eles queriam mudanças, fazer alguns medleys etc. Assim, a maioria dos fãs gostou do que viu e ouviu. Parece que, às vezes, dizem que uma minoria não gostou, e dizem que foi mais em virtude do vocal. Apesar de tudo, é raro que estas pessoas critiquem algo que elas gostam, certo? Existem alguns fãs hardcore do Deep Purple que são puristas, que apenas aceitam a banda com uma única formação, eles acharam que eu não deveria fazer parte do Purple. Porém, eu encontro com muitos fãs do Deep Purple, no mundo inteiro hoje, e eles são muito cordiais, me apóiam. Assim, qualquer crítica negativa que você tenha ouvido é realmente o que uma minoria das pessoas pensava.

Falando sobre técnica vocal, você estudou canto erudito? Ouvi comentários na mídia que você teve aulas com o professor de Pavarotti, é verdade?

Não sou um cantor com treino erudito, se é isso que você quer dizer. Eu trabalhei com um grande instrutor de canto chamado Marty Lawrence, que já treinou inúmeros vocalistas, muitos nomes para mencionar agora. Ele me ensinou a técnica e outras incríveis habilidades que eu ainda uso muito até hoje. Seu filho Don também é um professor agora, tão bom quanto o pai.

Logo após a sua saída do Deep Purple, seus álbuns se tornaram cada vez mais pesados, com tendências hard rock. Esta foi uma escolha estritamente pessoal ou foi motivada pela sua saída da banda?

Foi uma escolha pessoal. O humor às vezes controla o que você está compondo e gravando. Logo após minha saída do Deep Purple, lancei Nothing´s Changed, que não é hard ou heavy. Tem muitas influências Rhythm & Blues e de muitas formas é auto-reflexivo. Eu entrei em um período obscuro com Slam, mas que refletia o que eu pensava e sentia na época. Nada disso tem a ver com a minha saída do Deep Purple.

Em seu álbum solo Hurry Up and Wait, existe uma nova versão para “Too Much is Not Enough”, de Slaves and Masters. A idéia foi aperfeiçoar a versão original?

A intenção foi fazê-la do modo como supostamente foi concebida a soar. A versão do Purple comprometeu a proposta original. Também foi feita uma demo para a banda The Law, de Paul Rodgers, e eu queria que a música seguisse uma direção mais próxima desta gravação.

No CD Undercover, a música “Vehicle”, originalmente gravada pela banda Ides of March mostrou seu lado mais soul. Foi uma influência de Jim Peterik ou suas raízes na soul music são mais profundas? Ouvi dizer que você é um grande admirador de Otis Redding, é verdade?

Eu sou um fã de Otis Redding e não é apenas isso, minhas influências iniciais estavam profundamente estabelecidas no soul e no R&B. Recentemente, cantei a música no último show de Jim Peterik e sua banda World Stage, foi uma experiência incrível.

Você pretende voltar a trabalhar com Akira Kajiyama e Al Pitrelli? Além de todo o seu trabalho no hard e heavy rock, Pitrelli participou de dois álbuns do Asia. Você ouviu estes trabalhos, o que achou? Ele é realmente um músico bastante versátil, não é mesmo? E sobre Akira?

Eu espero que sim. Eu amo trabalhar com ambos, mas Al está realmente ocupado com outros projetos, como o TSO. Ele também trabalha em um projeto com sua esposa. Ele é muito solicitado. Não tive a chance de ouvir seus álbuns com o Asia. Ambos são músicos versáteis e multi-talentosos. Não sei se você sabe, mas Akira tocou todos os instrumentos no álbum em que eu e ele gravamos juntos.

E a sua dupla com Glenn Hughes? Teremos um terceiro álbum do projeto Hughes Turner Project?

Acho que seria ótimo um terceiro álbum do HTP, mas agora estamos muito ocupados em outros projetos. Talvez algum dia. Eu adoro trabalhar com Glenn, é sempre inspirador.

Second Hand Life é um mix eclético de músicas, um resumo de sua carreira musical e, ao mesmo tempo, um trabalho que lança novas perspectivas para o futuro. Uma música, “Blood Red Sky”, atraiu minha atenção pelo seu estilo épico e me recordou “Eyes of Fire”, do Rainbow. Karl Cochran fez um excelente trabalho nesta música, gostaria que você comentasse a respeito.

Obrigado por suas palavras gentis e pela análise. A música foi inspirada em minha viagem à Turquia. Eu escrevi uma boa parte lá e então Karl chegou com seu notável som Oriente Médio na introdução e nos riffs. É uma das favoritas do público entre as novas composições.

Recentemente surgiram boatos sobre o retorno do Rainbow. Você acredita nesta possibilidade? Sua participação em Village Lanterne, do Blackmore´s Night, pode ser um prenúncio desta reunião? Ritchie está mais sintonizado com a guitarra, voltando aos poucos às raízes hard rock.

Eu mesmo estou sempre ouvindo estes rumores. Como eu sempre digo, se Blackmore quiser voltar, eu estaria muito envolvido nisso. Também tenho ouvido rumores sobre Blackmore fazendo um som mais pesado e usando um pouco mais a guitarra hoje. Quando eu participei do Blackmore´s Night, foi puramente um projeto da banda, não se falou em uma reunião do Rainbow, embora eu tenha adorado a versão que fizeram para “Street of Dreams”. (Nota do editor: “Street of Dreams” é uma regravação da música originalmente lançada no álbum Bent out the Shape (1983), do Rainbow)

Em seus álbuns solo, você quase criou um “novo Rainbow”. Doogie White, Paul Morris e Greg Smith fizeram parte do Rainbow nos anos 90. Você apresentou estes músicos a Ritchie Blackmore ou foi apenas coincidência?

Eles estavam inicialmente em minha banda. Eles me pediram permissão para se unir a Ritchie, o que foi uma atitude muito sincera deles. Isso mostra o quanto nos respeitamos uns aos outros.

Yngwie Malmsteen é realmente um músico temperamental? Fale sobre sua passagem na banda do guitarrista.

Todos os músicos podem ser temperamentais, acho que isso depende do seu território, seu campo de atuação e seu domínio (risos). Ele é um perfeccionista em termos de conhecimento na área que trabalha. Mesmo assim, ele é brilhante e o trabalho que nós fizemos juntos é incrível.

Agenda da turnê brasileira:

24 de junho: Casa Brasil – Belo Horizonte

26 de junho: TBA- Campinas

28 de Junho: Manifesto Bar – São Paulo

30 de junho: Bar do Tom – Rio de Janeiro

Home Page Oficial: Joe Lynn Turner

Joe Lynn Turner – MySpace

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