Dream Theater: Greatest Hit (…& 21 Other Pretty Cool Songs)

Ciro Hiruma

Quem poderia Imaginar?

No inicio, parece uma brincadeira. Um Greatest Hit do Dream Theater? Uma banda com um sucesso mais 21 músicas muito legais? Como reunir as melhores composições de um grupo repleto de composições de longa duração e álbum conceituais que só podem ser totalmente entendidos na íntegra?

A surpresa é que a coletânea funciona. Polêmicas vão existir? Não resta dúvida de que o aficionado da banda vai sentir a ausência de várias músicas, as grandes suítes sumiram. E a adição de versões single edit não vai contentar muitos fãs, acostumados a ouvir as composições na íntegra.

Outro detalhe: a coletânea abrange o período 1991-2005, poderíamos chamá-la de “The LaBrie Years”, pois deixa de fora justamente o álbum de estréia, When Dream and Day Unite, com Charlie Dominici no vocal. Com isso, vão-se clássicos como “Fortune in Lies”, “Ytse Jam” e “The Killing Hand”.

A capa segue a mesma proposta divertida e irônica do título, lembra bastante um anúncio publicitário criado nos anos 1950, completamente diferente do estilo convencional da banda (diga-se de passagem, bem eclético).

A principal atração fica por conta das versões remix do produtor Kevin Shirley para “Pull Me Under”, “Take The Time” e “Another Day”, produzidas a pedido de Mike Portnoy. De acordo com o baterista, as músicas estavam soando em excesso no estilo anos 1990. A idéia deu resultado, as remixagens apresentam uma qualidade de som superior, revelam nuances inéditas dos instrumentos e mostram a banda com mais naturalidade, como deveriam ser as sessões originais.

Greatest Hit é composto por dois CDs e cada um representa uma personalidade distinta da banda:

The Dark Side

O lado mais pesado e obscuro. Lá estão a épica Home”, as seqüências mais thrash, “The Root of All Evil”, “As I Am” e “Lie”. E também duas grandes incursões que evidenciam o estilo progressivo: “Misunderstood” e “Sacrified Sons”.

É curioso ouvir “Peruvian Skies”, de Falling into Infinity, uma melodia que começa com influências Pink Floyd e sutilmente entra no ritmo e peso do Metallica. Por sua vez, “Pull me Under” e “Take the Time” são números praticamente obrigatórios numa coletânea do Dream Theater.

The Light Side

Começa com o lado mais pop da banda, conforme indicam “Lifting Shadows off a Dream”, “The Silent Man” e “Hollow Years”. Uma curiosidade é a rara faixa “To Live Forever”, que serviu inclusive para os testes de audição de James LaBrie.

“Solitary Shell” tem as conhecidas referências dos teclados do Rick Wakeman no Yes (ouça And You and I) e a base de violão de Sollsbury Hill, de Peter Gabriel. Esqueçam esta história de plágio, é apenas influência.

“I Walk Beside You” é uma das várias composições do Dream Theater, que remetem ao estilo U2. E dois momentos essenciais do CD Scenes of a Memory não poderiam faltar: a balada “Through Her Eyes” (versão mix diferente) e “The Spirit Carries On”.

Para terminar o light side, “Disappear” é uma surpresa e uma das composições mais estranhas da banda, soturna, pesada e com um andamento fora do convencional.

Enfim, Greatest Hit (…& 21 Other Pretty Cool Songs) é uma agradável introdução à história da banda, mas está longe de apresentar todo o seu potencial. É ideal para quem deseja conhecer sua música. E serve para mostrar que o título heavy progressivo é mais uma referência de marketing do que propriamente um estilo musical. E o conceito funcionou de modo excelente para muitas bandas, pelo lado financeiro. O Dream Theater vai muito além nesta coletânea.

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