AC/DC – Black Ice

Black-Ice

 

CD REVIEW

 

Decibéis em alta: a volta da lenda

 

Ciro Hiruma

 

Depois de oitos de espera, o álbum Black Ice retoma a longa trajetória do AC/DC e dispara nas paradas de sucesso mundo afora. Em tempos de crise da indústria fonográfica, a banda bate recordes nas vendas de CDs. O público tradicional se mantém fiel e novas gerações de seguidores estão a caminho.

Este período em que os músicos estiveram em “animação suspensa” serviu para aumentar sua fama e a aura de mito: o filme Escola do Rock é um exemplo de como a mídia trabalhou favoravelmente a imagem do grupo.  

Em termos musicais, a banda também se manteve fiel ao seu estilo, e isto significa que não se pode esperar grandes mudanças em sua sonoridade. Este é o detalhe principal: vai agradar uma parcela substancial de fãs enquanto outros são capazes de considerar que sua música se tornou repetitiva, sem maiores variações. Também não existem clássicos poderosos como “Hell´s Bells”, “You Shook Me All Night Long” ou “For Those About to Rock”. Por outro lado, o álbum não sofre com pontos altos e baixos, tem um equilíbrio sonoro.

Gostar ou não: trata-se de uma decisão pessoal.

ACDC IceMas existe uma certeza: o AC/DC não retornou apenas por uma questão financeira ou para realizar turnês saudosistas: os músicos estão a fim de fazer rock. E mantém uma boa forma após todos estes anos. Enquanto antigos grupos estão se esfacelando com a saída de membros originais, a banda conseguiu trazer de volta “aquela formação”: Brian Johnson (vocal), Angus & Malcolm Young (guitarras), Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria).

“Rock ´N Roll Train” começa com a levada típica de Rudd e desponta como uma das principais atrações. O refrão marcante é uma tradição e Angus sabe exatamente como criar o solo de guitarra ideal no momento certo.

Aliás, os irmãos Young mostram que continuam em perfeita sintonia. “Spoiling for a Fight” e a faixa-título são exemplos de que duas guitarras não conferem necessariamente peso a uma música, podem dialogar entre si e obter grandes resultados.

“War Machine”, por sua vez, cede espaço para o baixo de Williams e sua combinação estratégica com Rudd. É a sessão rítmica em plena ação. “Skies on Fire” é a maior surpresa do álbum, com riffs de guitarra que lembram bastante a concepção de Jimmy Page. Sim, Angus e Malcolm sempre foram influenciados pelo guitarrista do Led Zeppelin, mas desta vez esta presença é mais nítida.

Quando o ritmo fica cadenciado e a velocidade diminui, o vocal de Johnson se torna mais variado, ganha novas nuances. É o caso de “Rock ´n´ Roll Dream” e “Decibel”, que traz um solo de guitarra imerso em rhythm ´n´ blues.

Enfim, o AC/DC é uma referência na história do rock e é ótimo ter a banda de volta. No entanto, retomar seus trabalhos mais ecléticos e criativos, da época do falecido vocalista Bon Scott, como Let There Be Rock ou Highway to Hell, seria uma boa pedida.

Assista o making off do vídeo “Rock ´N Roll Train”:

Links:

Home Page Oficial

Site da banda na Columbia Records

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