Vital World: Tetsuo Sakurai, Greg Howe e Dennis Chambers

CD Review

Ciro Hiruma

O baixista Tetsuo Sakurai atuou em duas bandas fundamentais do jazz fusion japonês: Casiopea (1976-1989) e Jimsaku (1990-1998). Após esta fase iniciou uma carreira solo bem sucedida. Em 2003, gravou o CD “Cartas do Brasil” com a participação de Ivan Lins, Djavan e Rosa Passos, mostrando seu interesse pela música do país.

Greg Howe começou como guitarrista de classic metal nos anos 1980. Um legítimo adepto do estilo shredding, que associa velocidade e técnica em doses monumentais. Mas o músico não parou por aí, visitou o jazz, tornou-se mais eclético e experimental. Foi convidado a tocar do lado de Michael Jackson, ‘N Sync, Justin Timberlake e o tecladista de rock progressivo Eddie Jobson.

Dennis Chambers é um baterista que nasceu no ambiente jazz, reconhecido por seu grande talento ao tocar ao lado de super músicos como John Scofield, Santana, John McLaughlin e Mike Stern. Em tempos recentes, colaborou com uma geração de músicos que associa o estilo jazzístico a um som mais rock, pesado: Brett Garsed e TJ Helmerich (ambos do Planet X, banda de Derek Sherinian, ex-Dream Theater), Victor Wooten e, finalmente, Greg Howe.       

Sakurai se uniu a Howe e Chambers pela primeira vez em 2001, no álbum Gentle Hearts. Os músicos saíram em turnê em 2004 e o resultado foi estimulante, agradou em cheio o público.

Nada mais natural do que uma segunda reunião no estúdio, que resultou em Vital World. Mais entrosado do que nunca, o trio recebeu a importante adesão do tecladista Taiki Imaizumi.  Vamos ao CD:

“Critical Planet” é um exercício de virtuosismo bem dosado, sem exageros. O baixo cria um autêntico malabarismo sonoro, seguido pela bateria, Chambers emite uma levada pulsante, incessante, ensandecida. Sintetizadores fornecem uma melodia básica que sustenta todo o aparato. E tudo acontece um rápidos três minutos.

Até o nome da música seguinte, “Alien´s Feast”, lembra muito o estilo do Planet X.  Aliás, esta influência predomina em todo o CD, a fusão de jazz, rock progressivo e heavy metal. O timbre de órgão Hammond é evidente, mas é a guitarra que domina as ações. Peso associado a uma bateria direta, sem rodeios, apenas uma batida sólida, que permanece assim até o momento em que Imaizumi e Chambers decidem duelar em perfeita harmonia.

Em “Tears of a Clown”, os sintetizadores entram em ritmo levemente techno, a bateria repleta de suingue é a deixa perfeita para Howe lançar seu arsenal veloz, notas a mil por hora, um exercício de shred muito bem construído.

“Are You Ready” mostra em sua introdução a que veio: lembra bastante o baixo de “Assembly Line” do Dixie Dregs, grupo de Steve Morse. A seguir, uma fusão funk/ rock entra em cena: Chambers faz a festa, detona tudo o que pode, viradas rápidas, ataque rítmico violento. As frases de baixo podem ser definidas como ousadas e tensas, virtuosismo aliado à inteligência.

Fãs da guitarra vão lembrar rapidamente de Yngwie Malmsteen ao ouvir o começo de “Another Kingdom”: puro classic metal, guitarra pesada com dinâmica que impressiona e passagens eruditas. Mas o que vem depois gira em torno do flamenco, que recorda os trabalhos mais “elétricos” de Chick Corea e Al Di Meola (sim , pode colocar o Return to Forever na lista). Deliciosamente divertida com um solo de bateria empolgante no final.

“Triangle Square” aproveita ao máximo o suingue de Tetsuo com direito a um ótimo solo. O que ele toca foge totalmente do convencional. Howe não aposta na velocidade, está mais envolvido em criar interessantes linhas melódicas.

Teclados comandam a ação em “Monster Parade”, uma composição que surpreende a cada momento: mudanças o ritmo, rupturas inesperadas e um Greg Howe dedicado a explorar todo seu talento. Aqui a comparação com o Planet X é mais que presente, um momento para se curtir, se deixar envolver pela disposição dos músicos. Porque fica claro eles adoram o que estão fazendo.

O CD encerra com “Father”, tranquila, guitarra e teclados percorrem com delicadeza a música e ganham destaque.

Vital World é um álbum que vai além do talento e virtuosismo dos músicos. É como um impulso irresistível em que o pessoal entra no estúdio com a maior vontade de arrasar. Versatilidade a toda prova. E eles realmente conseguiram produzir um dos melhores álbuns do ano.

Links:

Tetsuo Sakurai

Greg Howe

Dennis Chambers

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