Jordan Rudess – Notes on a Dream

CD ReviewJordan Rudess Notes

Ciro Hiruma

Criar novas versões para clássicos do rock é uma aventura arriscada. Jordan Rudess, o tecladista do Dream Theater, tentou esta proposta no CD The Road Home, que traz covers para músicas do Yes, Gentle Giant, Genesis, Emerson Lake and Palmer, entre outros grandes nomes do movimento progressivo.

O resultado deste trabalho foi desigual,  não por responsabilidade da atuação do tecladista. A falta de sintonia e desempenho dos demais músicos afetaram o projeto.

Em Notes on a Dream, Rudess traz uma proposta semelhante, desta vez com versões acústicas do próprio Dream Theater, ao piano. E três composições novas. Além de conhecer bem este material, Jordan soube dosar sua técnica notável com maturidade e bom senso, evitando excessos em sua atuação.

É possível ouvir a influência que o músico recebeu de dois tecladistas progressivos, referência para seu aprendizado: Keith Emerson e Patrick Moraz (Yes, Moody Blues).

O CD abre com “Through Her Eyes”, que tinha uma ênfase natural nos teclados. Então a proposta de Rudess foi adicionar improvisações que acrescentaram inúmeras novidades ao arranjo original.

“Lifting Shadows off a Dream”, por sua vez, tornou-se mais sombria, densa, perfeita para um filme de suspense. Ressalta especialmente a qualidade da composição. “The Silent Man” segue na direção oposta, é um exercício livre no estilo jazzístico. Empolgante e criativo.

Algumas faixas realmente surpreendem, como a leveza que Jordan acrescenta em “The Spirit Carries On”. Sem o peso da banda ganha outra dimensão, mais intimista e sóbria. E “The Answer Lies Within” ficou melhor do que a versão do Dream Theater, afinal a música não era um destaque do CD Octavarium.

JRQuem conhece a “Speak to Me” original pode ficar curioso para saber como foi adaptada ao piano. A impressão é de um arranjo difícil de ser trabalhado. E a estratégia do tecladista foi radical. Embora tenha realçado alguns aspectos da melodia, colocou tensão no tema, ficou mais soturno.

Do CD Train of Thought saiu “Vacant”, que continua com a mesma linha melancólica, mas sem grandes mudanças. O mesmo acontece com “Hollow Years”, o piano segue de perto o arranjo de violão de John Petrucci. Mesmo assim, as recriações são plenamente válidas.  

Faltou comentar as novas composições de Rudess, que são praticamente vinhetas, mas que não deixam de ser essenciais no contexto do álbum.

A linha erudita de “Perpetuum Mobile”, percorre sonoridades de Johann Sebastian Bach e Alberto Ginastera (quem já ouviu Keith Emerson tocando “Creole Dance”, de autoria do compositor, vai recordar de imediato).

“Collision Point” e “The Grand Escapement” são dinâmicas ao extremo e mostram que o tecladista está apostando em novas modalidades de composição.

O próximo artigo traz a última parte da trilogia dos “Tecladistas do Dream Theater”, que começou no post anterior com Molecular Heinosity, de Derek Sherinian. Aguardem!

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Jordan Rudess

Dream Theater

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