John McLaughlin – Industrial Zen

O Encontro do Ocidente e do Oriente em Ritmo Frenético

Ciro Hiruma

Estar zen” é uma expressão que geralmente nos faz lembrar de relaxamento, silêncio, música new age. Mas esta idéia simplesmente não retrata o novo álbum de John McLaughlin, o guitarrista que ajudou a criar a história do jazz, seja na Mahavishnu Orchestra ou em carreira solo. Industrial Zen é elétrico e frenético do início ao fim, de perder o fôlego.

Se existe algo de industrial neste CD, certamente saiu do Vale do Silício, na Califórnia, das fábricas de componentes para computador. Porque o que se ouve é sonoridade de última geração, repleta de programações de sintetizador. E a eletrônica alia forças com um time de músicos de ponta (confira no fim do artigo), em uma combinação perfeita.

O CD abre com “Jaco”, uma homenagem ao baixista Jaco Pastorius, falecido em 1987. O tributo valeria a pena só pela cozinha rítmica de Hadrian Ferraud (baixo) e Gary Husband (bateria). Sobre esta vigorosa base, o sax de Bill Evans reina soberano.

Aliás, a incidência percussiva é a tônica deste trabalho. Em “New Blues Old Bruise”, é a vez de Vinnie Colauita assumir a bateria e abrir caminho para as guitarras de McLaughlin e o convidado Eric Johnson. A dupla entra em sintonia e cria um grande momento do CD. Na linha de sucessão dos bateristas, as baquetas caem nas mãos ágeis de Mark Mondesir em “Senor CS”. Aqui as inserções latinas se destacam, com referências ao flamenco.

“To Bop Or Not To Be” é a overdose eletrônica do trabalho, a programação ganha o reforço do tecladista Otmaro Ruiz. Tudo muito dinâmico para acompanhar a velocidade do guitarrista, que percorre a composição com extrema fluência, notas ágeis que parecem voar em velocidade supersônica acima do peso do acompanhamento.

“Dear Dalaï Lama” poderia ser a esperada faixa zen do CD. E o início justifica o título em virtude dos vocais indianos de Shankar Mahadevan e as tablas de Zakir Hussain. Mas o que ouve a seguir é um duelo percussivo, em que o ataque das notas da guitarra atiça a bateria de Dennis Chambers. Ação e reação rítmica.

Diante de tanto ritmo e incandescência, é possível captar a definição zen de John McLaughlin: conquistar estágios de evolução para chegar a uma harmonia coletiva. o CD reflete exatamente esta idéia.

Os músicos de Industrial Zen:

. John McLaughlin / guitarra e programação de sintetizadores

. Gary Husband / bateria e teclados (1,2,3,7)

. Vinnie Colaiuta / bateria (2)

. Dennis Chambers / bateria (6)

. Mark Mondesir / bateria (7)

. Hadrian Feraud / baixo (1,7)

. Matthew Garrison / baixo (4,5)

. Tony Grey / baixo (3,8)

. Zakir Hussain / tablas (3,5,6)

. Shankar Mahadevan / vocals (6)

. Ada Rovatti / sax soprano e tenor (3,6)

. Marcus Wippersberg / bateria programada (4)

. Otmaro Ruiz / sintetizadores (5)

. Bill Evans / sax soprano (1,4)

. Eric Johnson / guitarra (2)

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