Hiromi Uehara – Beyond Standard

Do clássico ao inovador.

Beyond Standard

Afinal, quem é Hiromi Uehara?

Uma das maiores revelações do jazz de hoje. Começou a estudar piano erudito aos seis anos. Aos 14 já se apresentava com a Orquestra Filarmônica Tcheca. Graduou-se na famosa Berklee College of Music, em Boston, nos Estados Unidos. Seu primeiro trabalho solo, Another Mind, foi lançado em 2003, e desde então sua música tem chamado a atenção do público e de outros músicos, inclusive de Chick Corea, com quem já tocou. Beyond Standard é seu quinto álbum e o segundo com a presença de sua notável banda, o Sonicbloom: David Fiuczynski (guitarra), Mitch Cohn (baixo) e Dave DiCenso (bateria). O nome do CD sugere que se trata de uma coleção de clássicos da música, o que é verdade. Porém, se a protagonista é Hiromi Uehara, pode-se ter certeza de que as composições foram totalmente recriadas, ao seu estilo.

Três músicas são clássicos da história norte-americana. “Softly as in a Morning Sunrise”, de 1927, é criação de um mito chamado Oscar Hammerstein (parceria com Sigmund Romberg). Sua introdução nos conduz a um disco de vinil de 78 rpm, com direito a estalidos e chiados, onde o piano de Hiromi desfila notas como se estivesse em um cabaré da época. O que vem a seguir é pura tecnologia e improviso, praticamente uma jam session.

DivulgaçãoHiromi Beyond

De Hammerstein, em parceria com Richard Rodgers, temos “My Favorite Things”, do filme A Noviça Rebelde, pretexto para o brilho da guitarra de Fiuczynski, acompanhada de perto pelo suingue do baixo de Cohn. O clima sonoro deixa uma tensão no ar, completamente diferente da versão cinematográfica.

“I Got Rhythm”, de George and Ira Gershwin, se mantém mais fiel à idéia dos lendários compositores, ainda que a pianista invista em velocíssimas seqüências durante alguns segmentos, um show de técnica.

Em “Ue Wo Muite Aruko”, mais conhecida na versão popular “Sukiyaki”, é a bateria que dá o tom, um momento mais suave, em que se destaca a fluência do piano de Hiromi e sutis toques de guitarra que complementam a música.

“Led Boots” entra direto na área do jazz rock. Composta pelo tecladista Max Midleton, abre o álbum Wired (1976), de Jeff Beck. É a deixa para introduzir o sintetizador em altas doses e uma guitarra de David Fiuczynski mais roqueira, com mais distorção.

E a tecladista se sente bem em seu próprio habitat, quando recria sua própria música, “XYZ”, de Another Mind. Mudou o título para “XYG” por causa da inclusão de Fiuczynski (“G” de guitarra), que não estava presente na versão original. Recorda em parte a banda de rock progressivo King Crimson, especialmente pela levada de bateria e a guitarra, que traz notas inusitadas, ao estilo Adrian Belew.

Faltou mencionar só “Clair de Lune”, do compositor erudito Debussy. Na verdade, a melodia principal serve como um pretexto para mudanças radicais repletas de improvisos. E essa obra representa a tendência sonora do CD: trabalhar com material que faz parte da história, grandes clássicos. É uma tarefa difícil se envolver com este material antológico. Beyond Standard é capaz de assustar os puristas e o público mais tradicional. Em troca, traz inovação, ótimos músicos e atualização. Gostar ou não, é uma escolha estritamente pessoal.

Hiromi Uehara - Beyond Standard

Vídeo de Divulgação - Gravadora Telarc

Página Oficial: Hiromi Uehara

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