Derek Sherinian – Molecular Heinosity

 

CD REVIEWMolecular Heinosity Cover

Ciro Hiruma

O tecladista Derek Sherinian é bem conhecido por sua participação no Dream Theater (1995-1998) e como fundador do Planet X, banda que veio com uma proposta original, uma forma inédita de criar um mix entre jazz, rock pesado e progressivo.

Em sua carreira solo, o tecladista começou muito bem com o álbum Inertia. Nos trabalhos posteriores, contou com a participação de nomes consagrados, os guitarristas Yngwie Malmsteen, Al Di Meola, Steve Lukather (Toto), John Petrucci (Dream Theater) e o baixista Billy Sheehan, entre outros.

Era de se esperar que este grupo notável de convidados elevasse a qualidade dos trabalhos do músico. Mas aconteceu o oposto: estilos diferentes fizeram os CDs de Derek perderem sua unidade sonora. Não era um trabalho coletivo em favor de uma idéia, e sim vários conceitos dispersos dentro de um único álbum.

Molecular Heinosity representa uma melhora neste aspecto, mas ainda está distante do melhor que o tecladista pode apresentar.

As três primeiras composições lembram bastante o Planet X. As presenças de Virgil Donati (bateria), membro da banda, e Bret Garsed (guitarra), que atuou no CD de estréia, reforçam este lado. Acrescente-se a notável habilidade do veterano baixista Jimmy Johnson.

“Antartica” traz guitarras e teclados influenciados pelo estilo de Allan Holdsworth, um dos mestres do movimento jazz fusion. Os ritmos complexos da bateria abrem espaço para o som clean de Garsed, que se reveza com os teclados em solos vibrantes.

Em “Ascension”, os sintetizadores são responsáveis pelo clima de tensão, adicionando uma dose de distorção, que Sherinian sabe usar muito bem. Quem recordar da introdução do clássico “Lines in the Sand”, do Dream Theater, vai reconhecer o estilo pessoal do músico.

Mas é em “Primal Eleven” que a trilogia alcança seu auge. Riffs pesados de guitarra sustentam uma ampla variedade de timbres de teclado, inclusive o conhecido som do órgão Hammond. Leves influências da música indiana completam a música. Dinâmica e ousadia na medida exata.

“Wings of Insanity” muda de forma radical a sonoridade, parece uma composição de Ozzy Osbourne. A presença de Zakk Wylde não deixa esquecer, ainda mais quando chega a hora do solo de guitarra demolidor. Como o título trata da insanidade, a música segue uma linha obscura e acaba partindo para o puro thrash metal. Um momento diferente na carreira solo de Sherinian. Ponto positivo.

Zakk e Derek

Zakk Wylde e Derek Sherinian (Divulgação)

Shredding é o termo que os guitarristas utilizam para designar os solos supervelozes, como o estilo classic metal costuma adotar. É o que acontece em “Frozen by Fire”. Rusty Cooley é o responsável pelas notas acima da velocidade da luz, contornos eruditos e épicos. É neste momento que o álbum começa a irritar: a técnica se torna mais importante que a criatividade.

As três músicas seguintes apresentam Taka Minamono na guitarra e sofrem a mesma síndrome classic metal ultrapassada. É como voltar no tempo e refazer tudo o que Yngwie Malmsteen já usou e abusou até a exaustão. Existem hoje guitarristas que usam o shredding de modo muito mais inteligente.

“The Lone Spanyard” ao menos traz uma boa introdução de piano. A vinheta “Molecular” e a faixa-título cansam pela repetição da fórmula, solos de guitarra a mil por hora e falta de consistência nas composições. Salvam-se os solos de Sherinian.

“So Far Gone” traz o vocal de Zakk Wylde, que não compromete, tampouco impressiona. Nota-se claramente que ele tenta ser um discípulo de Ozzy Osbourne. O badalar dos sinos e a intervenção tétrica do celo criam um autêntico clima de suspense. Quando entra em cena o segmento heavy metal, os teclados produzem um efeito épico que resgata o Oriente Médio e recorda “Kashmir” do Led Zeppelin. Grande faixa de encerramento.

Sensação estranha ouvir Molecular Heinosity. A impressão é colocar um CD no player e no meio da audição trocar por outro. Existem ótimas músicas e outras que simplesmente não empolgam. O resultado é desigual.

Os músicos de Molecular Heinosity:

Derek Sherinian (teclados), Zakk Wylde (guitarra, vocal), Tony Franklin (baixo fretless), Brian Tichy (bateria e guitarra), Virgil Donati (bateria), Rusty Cooley (guitarra), Taka Minamono (guitarra), Brett Garsed (guitarra), Jimmy Johnson (baixo), Rob Mules (baixo), Tina Guo (celo)

Derek Sherinian Links:

Site Oficial

MySpace

Planet X

Leave a Reply