Expomusic 2009: Investir e Crescer

(foto: Ciro Hiruma)

(foto: Ciro Hiruma)

EVENTO

Ciro Hiruma

Uma grande expectativa. Como seria a 26ª edição da Expomusic? A crise mundial ainda está presente na economia, e mesmo que vários indicadores econômicos apontem para uma melhora na situação, uma pergunta merece resposta: como o abalo financeiro afetou e continua a influenciar o mercado musical brasileiro?

De acordo com a assessoria do evento, a feira recebeu um público superior a 50 mil visitantes e contou com mais de 200 expositores. A movimentação nos negócios ficou acima dos 189 milhões de reais, um acréscimo de 11% em relação ao ano passado. Os números realmente impressionam.

Para conhecer de perto o impacto financeiro nesta área, nada melhor do que ouvir a opinião de vários segmentos da área musical e descobrir suas soluções para os momentos difíceis, além de metas para a retomada do crescimento.

(foto: Ciro Hiruma)

Meteoro (foto: Ciro Hiruma)

José Luiz Ferreira, presidente da Meteoro Amplifier, traz a visão de um fabricante nacional que vivenciou inúmeras reviravoltas econômicas desde a fundação, nos anos 80. Sobre a atual situação, ele comenta:

“A exportação na época de crise foi muito difícil e continua assim porque os preços caíram muito. E esta recente queda do dólar dificulta ainda mais o envio de produtos ao exterior. Neste último ano, nas feiras dos Estados Unidos (NAMM) e da Alemanha (Musikmesse), eu tive que rever alguns custos e preços, o que não foi bem visto pelos clientes. Infelizmente, não posso fazer nada quanto a isso.”

O empresário aponta mais uma dificuldade em relação ao mercado exterior: “A crise estava no auge na Europa, nos Estados Unidos. Assim como eu faço no Brasil, fui até as lojas de lá para saber o que acontecia. E o cenário está muito difícil para as empresas tradicionais porque as grandes redes, por exemplo, a Best Buy, passaram a vender instrumentos musicais. Eles têm um poder de compra maior do que os lojistas tradicionais. A situação está complicada”.

Porém, de acordo com Ferreira, o mercado brasileiro continua em plena atividade: “Vou ser sincero, aqui é um país maravilhoso, a situação está muito bem. Lógico que em tempos de crise não estamos com força total no mercado. Mas eu dou um valor especial aos meus representantes por ter passado sem dificuldades por esta fase. Eles trabalham forte, vestem a camisa da minha empresa”.

E o presidente da Meteoro completa: “sempre fui muito positivo. Daqui para o final do ano vai faltar material, não só para a minha empresa como também para outras. Quando a situação melhora, o movimento é muito rápido, o consumo pode nos pegar desprevenidos. A demanda do mercado exige uma grande quantidade de componentes eletrônicos. E hoje no Brasil não temos fabricantes nacionais depois que a Ibrape se foi. Assim, os componentes dos meus produtos são importados, apenas o transformador e o alto falante são nacionais. No ano passado já foi assim, comprei a mais para não faltar material, fiz o mesmo este ano. Tenho certeza de que a demanda será como espero”.

Importar e diversificar o mix de produtos

A Playtech, loja tradicional de instrumentos musicais e equipamentos de áudio, apresenta uma nova tendência do mercado: a empresa expande seu ramo de atividade e tornar-se uma importadora.

Estande Playtech (foto: Ciro Hiruma)

Playtech (foto: Ciro Hiruma)

Marcelo Maurano, gerente de marketing, fala sobre a estratégia utilizada: “estamos na Expomusic para mostrar algumas linhas de produtos que importamos diretamente de outros países. A intenção é sair do convencional: as lojas têm sempre o mesmo mix de produtos, então a Playtech pretende se diferenciar e trazer novidades top de linha para o consumidor”.

A empresa hoje é dealer oficial da norte-americana Meyer Sound e a alemã beyerdynamic, especializadas em áudio profissional, equipamentos de estúdio como prés, conversores, equalizadores, entre outros produtos. No mesmo ramo estão a Rupert Neve Designs e a Avalon Designs.

A linha de instrumentos acústicos da americana Saga, produzidos na China, é mais uma exclusividade Playtech. São banjos, dobros, mandolins e violões, estes últimos divulgados e utilizados pela banda Fresno.

Maurano espera uma retomada de crescimento após a recente crise mundial. Segundo a sua opinião, a Expomusic é sempre uma referência na ampliação dos negócios e a sazonalidade, com a chegada das comemorações do final do ano, são fundamentais para aquecer o mercado.

O desafio do importador

É essencial conhecer a opinião de uma importadora que vivenciou de perto a crise do mercado e superou os obstáculos. A Sonotec, que traz ao país marcas como Takamine, Gretsch, Ovation e Danelectro, contou com uma estratégia especial para manter a estabilidade no mercado. Nenrod Adiel, gerente comercial, explica como foi esta tática: 

Estande Sonotec (foto: Ciro Hiruma)

Sonotec (foto: Ciro Hiruma)

“A Sonotec é uma empresa com 35 anos de existência, e o segredo de estar há tanto tempo no mercado é saber enquadrar bem o produto e atender a necessidade do mercado com antecedência. Quando a crise começou a ter um reflexo mundial, a empresa fez a adequação conforme a demanda. Continuamos a rotina de importação, mas aquém daquela que vínhamos mantendo. Não regredimos este ano, apenas mantivemos um planejamento para ter os mesmos resultados do ano anterior. Nos meses de novembro e dezembro/2008 e janeiro/2009, reestruturamos a linha de importação, colocando foco nos produtos que tinham um giro mais rápido, a fim manter nossa estabilidade no mercado”.

De acordo com Adiel, a previsão é bastante otimista:

“Nesta feira, quero crescer 30% em relação ao ano anterior, os números da empresa estão condizentes com isso, eu tenho o produto, já retomei minha rotina de importação, não tenho com o que me preocupar”   

Intensificar e apostar em novas tecnologias 

Para a Roland Brasil, este é o momento exato de intensificar as atividades. A empresa lançou nada menos que 11 produtos na Expomusic, com destaque para uma tendência: instrumentos digitais que reproduzem com fidelidade as características acústicas, de acordo com a empresa.

Roland (foto: Ciro Hiruma)

Roland (foto: Ciro Hiruma)

É o caso dos pianos digitais, o V-Accordion FR-1, a linha de baterias V-Drums e o pedal BOSS FRV-1, que traz de volta a sonoridade do reverberador de mola Fender 1963. A Roland visa com esta estratégia facilitar o trabalho do músico com produtos práticos, capazes de suportar as dificuldades das turnês, como o transporte e a instalação dos equipamentos.

Além deste conceito, a linha de teclados continua em evidência com novos modelos: Prelude, AX-Synth, VP770 e Juno-Di. E os sistemas de gravação investem na informática, a linha Cakewalk, que integra hardware e software oferecendo opções de preço para atender várias categorias de profissionais. 

O músico: uma referência para o mercado

Endorsee das guitarras Tagima, o músico Mozart Mello avalia o desenvolvimento do mercado musical e aponta a adaptação e a criatividade como características para enfrentar para as constantes mudanças econômicas:

Mozart Mello (foto: Ciro Hiruma)

Mozart Mello (foto: Ciro Hiruma)

“Eu faço feira de música há 22 anos, vejo que é um mercado que está crescendo. É muito bom, existem novas empresas gerando trabalho, o que traz uma ótima perspectiva, apesar do eixo econômico estar voltado para a China. Eu gostaria que existissem mais produtos fabricados no Brasil. Mas se não é possível, vamos nos moldar a esta nova realidade”.

Segundo Mello, certos fatores determinam o sucesso de uma empresa mesmo em momentos econômicos desfavoráveis:

“Eu trabalho numa empresa, a Tagima, que já deu a volta por cima faz tempo, e portanto, sabe se defender das dificuldades da economia. Eu acho que a criatividade, ter a visão, olhar lá na frente, é fundamental. No primeiro momento, foi difícil enfrentar a crise mundial, mas a equipe da Tagima, a administração, tem uma capacidade de trabalho impressionante. Eles logo reverteram esse quadro. São profissionais de grande mérito e, acima de tudo, amigos”.

A feira estava repleta de atrações musicais, estilos ecléticos capazes de atender a todos as faixas de público. Marcaram presença bandas e artistas como Vernon Neilly, André Matos, Frejat, Pepeu Gomes, Supla, Daniel Weskler (NX Zero), Banda Glória, Felipe Andreoli e Rafael Bittencourt, Andréas Kisser, Nenhum de Nós, Lipstick, Terra Celta, Fabiano Carelli (Capital Inicial), Tiago Della Vega, Edu Ardanuy, David Fantazini, Faíska, Marcinho Eiras, Joe Moghrabi, Fake Number, Torture Squad, Juninho Afram, Mozart Mello, Kiko Loureiro, Aquiles Priester, Steve McNally, Ralf Jung, Madame Saatan, Cuca Teixeira, Celso Pixinga, para citar apenas alguns nomes. 

Os visitantes na Expomusic

A expansão dos negócios foi visível para o público que visitou a Expomusic. Apesar da organização do evento, era fácil se perder nos corredores em virtude da grande quantidade de expositores, espalhados nos 15 mil metros quadrados da feira. Os postos de informação espalhados pelo recinto foram importantes no auxílio aos visitantes, assim como o mapa com a localização dos estandes.

Esta edição da Expomusic, além de musical, foi nitidamente visual. Repleta de inovações tecnológicas, em especial os painéis de LEDs. As empresas também dedicaram atenção especial aos estandes: o design arrojado foi uma das principais estratégias para atrair os visitantes.

Diversos expositores ofereceram “test drive” o que permitiu aos músicos contato direto com os instrumentos. Esta opção aumentou em relação aos anos anteriores e foi bem recebida pelo público. A variedade de produtos em exposição permitiu aos visitantes acesso a marcas conceituadas no mercado e novos instrumentos e equipamentos de áudio que estão despontando agora no país. Esta expansão vai acirrar a concorrência. O benefício, sem dúvida, será do consumidor.  

Para uma feira que mostra um nítido crescimento na área de negócios e público, seria importante que a organização dedicasse uma atenção especial aos meios de transporte, fornecendo ônibus fretados ou vans para os visitantes a partir de uma estação de metrô próxima.

Afinal, a expectativa de crescimento do mercado vai refletir diretamente no aumento do número de visitantes. O cenário é promissor, vale aguardar a Expomusic 2010.

Fotos da Expomusic no Flickr

 

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